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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

GLOBO DE OURO 2018


MELHOR FILME/DRAMA

ME CHAME PELO SEU NOME

DUNKIRK

THE POST - A GUERRA SECRETA

A FORMA DA ÁGUA

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME


MELHOR ATRIZ/DRAMA

JESSICA CHASTAIN
A Grande Jogada

SALLY HAWKINS
A Forma da Água

FRANCES MCDORMAND
Três Anúncios para um Crime

MERYL STREEP
The Post - A Guerra Secreta

MICHELLE WILLIAMS
Todo Dinheiro do Mundo


MELHOR ATOR/DRAMA

TIMOTHÉE CHALAMET
Me Chame pelo seu Nome

DANIEL DAY-LEWIS
Trama Fantasma

TOM HANKS
The Post - A Guerra Secreta

GARY OLDMAN
O Destino de uma Nação

DENZEL WASHINGTON
Roman J. Israel, Esq.


MELHOR FILME/COMÉDIA ou MUSICAL

O ARTISTA DO DESASTRE

CORRA!

O REI DO SHOW

I, TONYA

LADY BIRD - É HORA DE VOAR


MELHOR ATRIZ/COMÉDIA ou MUSICAL

JUDI DENCH
Victoria & Abdul - O Confidente da Rainha

HELEN MIRREN
The Leisure Seeker

MARGOT ROBBIE
I, Tonya

SAOIRSE RONAN
Lady Bird - É Hora de Voar

EMMA STONE
A Guerra dos Sexos


MELHOR ATOR/COMÉDIA ou MUSICAL

STEVE CARELL
 A Guerra dos Sexos

ANSEL ELGORT
Em Ritmo de Fuga

JAMES FRANCO
O Artista do Desastre

HUGH JACKMAN
O Rei do Show

DANIEL KALUUYA
Corra!


MELHOR ANIMAÇÃO

COM AMOR, VAN GOGH

O PODEROSO CHEFINHO

O TOURO FERDINANDO

VIVA - A VIDA É UMA FESTA

THE BREADWINNER


MELHOR FILME ESTRANGEIRO

UMA MULHER FANTÁSTICA
Chile

FIRST THEY KILLED MY FATHER
Cambodja

EM PEDAÇOS
Alemanha/França

LOVELESS
Rússia

THE SQUARE
Suécia/Alemanha/França


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

MARY J. BLIGE
Mudbound

HONG CHAU
Pequena Grande Vida

ALLISON JANNEY
I, Tonya

LAURIE METCALF
Lady Bird - É Hora de Voar

OCTAVIA SPENCER
A Forma da Água


MELHOR ATOR COADJUVANTE

WILLEM DAFOE
Projeto Flórida

ARMIE HAMMER
Me Chame pelo seu Nome

RICHARD JENKINS
A Forma da Água

CHRISTOPHER PLUMMER
Todo Dinheiro do Mundo

SAM ROCKWELL
Três Anúncios para um Crime


MELHOR DIRETOR

GUILLERMO DEL TORO
A Forma da Água

MARTIN MCDONAGH
Três Anúncios para um Crime

CHRISTOPHER NOLAN
Dunkirk

RIDLEY SCOTT
Todo Dinheiro do Mundo

STEVEN SPIELBERG
The Post - A Guerra Secreta


MELHOR ROTEIRO

A FORMA DA ÁGUA

LADY BIRD - É HORA DE VOAR

THE POST - A GUERRA SECRETA

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

A GRANDE JOGADA


MELHOR TRILHA SONORA

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

A FORMA DA ÁGUA

TRAMA FANTASMA

THE POST - A GUERRA SECRETA

DUNKIRK


MELHOR CANÇÃO

"HOME"
O Touro Ferdinando

"MIGHTY RIVER"
Mudbound

"REMEMBER ME"
Viva - A Vida é uma Festa

"THE STAR"
The Star

"THIS IS ME"
O Rei do Show 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

DOENTES DE AMOR



DOENTES DE AMOR
DIREÇÃO: Michael Showalter
ELENCO: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter e Ray Ramone


Kumail é um paquistanês que está nos Estados Unidos trabalhando como motorista de UBER e se apresenta em espetáculos de stand up comedy. Em um desses, ele conhece a universitária Emily, onde começam um belo romance, que tenta ser maior que as diferenças culturais existentes entre eles. Quando uma doença misteriosa atinge a moça, chega a hora de Kumail lutar acima de tudo por ela e pela vida dela, derrotando todos os entraves que afetam o relacionamento.


Tem uma passagem muito interessante em Lisbela e o Prisioneiro, quando a protagonista, dentro de uma sala de cinema, diz o seguinte: “Adoro essa parte. A luz vai se apagando, devagarzinho. O mundo lá fora vai se apagando, devagarzinho. Os olhos da gente vão se abrindo. Daqui a pouco a gente nem vai lembrar que está aqui”. Isso remete ao cinema como uma espécie de refúgio para muita gente, inclusive para mim. O envolvimento que se tem com um filme visto nas telonas é capaz de fazer com que alguém esqueça todos os problemas que está a passar na vida, principalmente quando o produto acompanhado é uma obra, que em doses sem um pingo de exagero, diverte e emociona ao mesmo tempo. Doentes de Amor, com sua deliciosa simplicidade, marcou a sétima arte em 2017.

Dirigido por Michael Showalter, que tem uma curta carreira como cineasta, mas sempre trabalhou com a arte, o filme trouxe para a sua produção, uma responsabilidade muito grande em seu executar, visto que ele fora escrito por Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon, que é o próprio casal retratado na obra, e ainda por cima, Kumail interpreta a ele mesmo no protagonismo da trama. Logo, Doentes de Amor traz em sua concepção uma estrutura em que os próprios envolvidos nos fatos reais (perdoem a redundância) estão diretamente ligados a ela, ou seja, poderia haver a falta de um olhar diferenciado que contribui em qualquer projeto. Se as interferências ocorreram ou não, fica a dúvida, mas o saldo do filme é tão positivo que faz de Kumail e Emily um casal exemplo de humildade ou uma bela exceção à regra.

Curiosamente o filme tem um motorista de uber e stand up comedian como personagem principal. É fato que na vida real, multiplicam-se os exemplos de pessoas que seguem tais profissões, mas vale ressaltar que eles pouco são retratados na sétima arte. Tendo responsabilidade com a fidelidade aos fatos, o roteiro sequer esconde dotes de antipatia incutidos em Kumail e faz uma ampla abordagem na rigidez de uma típica família paquistanesa, não só em seus mais simples costumes, mas também na maneira como são contraídos casamentos entre pessoas dessa nacionalidade. Sem resguardos, a situação chega ao ápice de inclusive assustar.

Assim, logo vem ao espectador as questões humanitárias que faz com que sejam repudiadas todas as iniciativas de se contrapor a liberdade que um ser tem de fazer com a sua vida o que quiser, inclusive se casar com quem bem entender. E só pelo fato de Kumail estar se envolvendo com uma americana, já é positivo aos olhos de quem vê, e Doentes de Amor cresce no momento em que o casal protagonista se apresenta com uma doçura adorável, que faz com que qualquer pessoa venha a torcer pelos dois. E só o início desse romance, ironicamente nos faz rir mais que qualquer apresentação stand up da obra, onde a comicidade até em questões fisiológicas nos faz remeter até a vida amorosa de qualquer um.

Sem qualquer prejuízo, Doentes de Amor muda da comédia para o drama, quando um grave de problema de saúde atinge Emily, que não economiza em seu status de chocante, diante dos mistérios em volta dele e a maneira como se agravava. Será que ela sobreviverá? Se sim, como escapará? Os contrastes familiares ficam evidentes, e todos passam a estar tão anestesiados com a situação quanto o próprio casal. O que se deve fazer no momento como esse? Parece que tudo é uma jornada de conhecimento a si próprio, a ponto de fazer com que Kumail deixe de fazer piada para desabafar sobre a própria vida, numa cena que é mais impactante que qualquer discussão se aquilo foi um clichê mal-usado pelo filme.

O paquistanês finalmente descobriu a si próprio como uma pessoa que se importa bastante com a sua família, ao mesmo ponto em que também pode tranquilamente se importar com o próximo, mas que acima de tudo, buscar seguir o seu rumo era mais fundamental do que se deixar viver como uma marionete.

Assim, aplausos para a atuação de Kumail Nanjiani, que soube dar a diversão e a emoção exata ao personagem, como se fosse alguém desconhecido para ele. E no segmento de elenco, louva-se também a poderosa atuação de Holly Hunter, que no papel da sogra do paquistanês, faz um elo de força e austeridade, sem fazer questão de agradar a ninguém, para caracterizar uma mulher que vivia algo que doía mais nela do que na própria filha adoentada.

Com uma bela dose de regozijo em seu desfecho, Doentes de Amor soube trabalhar com maestria todos os sentimentos que a obra dispõe, fazendo com que os personagens sejam sujeitos memoráveis, e que o filme seja, sem sombra nenhuma de dúvidas, o melhor romance do ano.