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domingo, 26 de março de 2017

POWER RANGERS



POWER RANGERS
DIREÇÃO: Dean Israelite
ELENCO: Bryan Cranston, Elizabeth Banks, Naomi Scott, RJ Cyler, Beck G, Ludi Lin e Dacre Montgomery  


Cinco jovens, que estudam na mesma escola, descobrem que possuem poderes extraordinários, e ao observarem que a sua cidade, Alameda dos Anjos, está sob risco de um forte ataque alienígena, eles veem que são os únicos que podem salvar a humanidade. Mas para isso, eles têm que provar que detêm todos os atributos para serem Power Rangers.
 

Acredito já ter dito neste blog que o primeiro filme que vi no cinema foi Power Rangers – O Filme, no ano de 1996, no extinto Cine Passeio, em São Luis (MA). Não poderia ter ficado mais encantado ainda, visto que era de longe o meu seriado preferido da tv, fora o fato de eu, na época, nutrir uma paixão platônica pela Kimberly (a ranger rosa). Há poucos anos, realizei um sonho antigo que era ter este filme em DVD. A notícia de que haveria um reboot dos super-heróis criados por Hain Sabam me deixou contentíssimo e ansioso, mas tudo isso por questões simplesmente nostálgicas, pois faz-se justo nunca criar tantas expectativas com filmes dessa natureza. Diante disso, não podia ser hipócrita em pensar que seria uma grande obra. E não foi.

Dirigido pelo jovem sul-africano Dean Israelite, Power Rangers prefere iniciar sua trama, enaltecendo suas figuras heroicas e aquelas diretamente ou indiretamente ligadas aos protagonistas, deixando bem claro seus papéis na humanidade, desde o citado período jurássico. Daí a influência das figuras pré-históricas, seja na forma dos zords, ou nos dizeres da inoxidável hora de morfar: "Mastodonte, Pterodactilo, Triceratops, Tigre dente-de-sabre, tiranossauro". Aliado a isso, seu prólogo investe na imagem das únicas estrelas presentes no elenco: Bryan Cranston e Elizabeth Banks, que interpretam Zordon e Rita Repulsa, respectivamente; enaltecendo assim o motivo do primeiro ser o líder do time e sua importância para o mesmo, e criando um contexto para a antagonista, que não foge de alguns clichês, mas que em contrapartida, não se torna um fator que contribui para a fragilidade do roteiro, concebido por quatro mentes, com destaque ao competente John Gatins, de O Voo e Gigantes de Aço.

Evidente que esta nova versão tem total direito de fazer mudanças que achar necessária, mas qualquer pessoa que tenha acompanhado bem a série, deve ter achado no mínimo esquisitas as situações ao longo do filme. Mantendo o nome dos personagens célebres (Jason, Billy, Zack, Trini e Kimberly), a película apresenta os jovens em cima dos devaneios de sua idade, oriundos da famosa detenção escolar, enfatizando traumas, problemas com a justiça, drogas, questão social, sexualidade, e principalmente rebeldia, que passa a ser o combustível inicial deles, tanto que a obra realiza tomadas de acordo com a visão deles, seja dentro de um carro ou em uma bicicleta, contribuindo com a adrenalina. O que chama negativamente a atenção é o total amadorismo deles e a jogada de sorte que os transformou em rangers, pondo por água abaixo o princípio da inteligência e a capacidade natural de lutar a favor de uma sociedade.

Assim, Dean Israelite derrapa ao entregar um filme que expõe que ser um power ranger não é um dom, e sim uma mutação – assunto difícil de ser trabalhado atualmente em filmes de ação com originalidade e ousadia, sem que o espectador se lembre de X-Men. E esta situação é tratada pelos adolescentes como uma brincadeira, sendo assim a cereja que faltava ao bolo que faz com que eles pensem dominar o mundo, porém de uma maneira nada pró-humanidade. Aqui cabe ressaltar o vacilo de uma cena em que eles se jogam de uma rocha em direção a uma espécie de lago – lembrando muito uma passagem do filme 127 Horas, dirigido por Danny Boyle e estrelado por James Franco.


A capacidade e o poderio heroico dos adolescentes dão lugar a uma desgastante sessão de puro treinamento deles, que mais parecem estagiários desnorteados, agora dentro uma nave, com uma telão onde a gigante face do Zordon pode se movimentar mais, e com a leal assessoria de um agora digital e ridículo Alpha 5, que aqui mostra uma respeitável força física, que faz com que nos questionemos porque ele não assumiu a tarefa de lutar contra as forças do mal, sendo que, pelo o que o filme exibira, ele poderia ser bem mais prático e eficaz que os Power Rangers. Mas uma grande “facada” do retorno desses seres às telonas é ver a história do seriado sendo rasgada, ao deixar de lado a célebre “hora de morfar”, e fazer com que sentimentos sejam o requisito para eles usarem os seus poderosos uniformes - desta vez remodelados, excluindo inclusive a minissaia da ranger rosa, desagradando muitos fãs.

O maior pecado de Power Rangers é a parceria direção/produção/roteiro deixar bem claro que não faz questão de ter ali uma trama conclusiva e deixa tal função para os filmes posteriores, que por sinal existirão, e uma cena pós-créditos (precedida por uma canção escolhida equivocadamente, onde deviam ter executado a música-tema, cantada pelo Megadeth) reforça essa informação. Isso é um tremendo absurdo para a arte cinematográfica, pois uma película tem que ter seu desfecho e suas lacunas fechadas, mesmo que continuações estejam sendo planejadas. Parecem que querem passar uma mensagem de “relevem, eles ainda estão aprendendo”, em resposta à inexperiência de pessoas que ganharam a confiança de salvar o mundo. A própria antagonista Rita Repulsa, derrotada em uma batalha ao estilo “destrói-se uma cidade para salvá-la” (que conta com bons  monstros e zords criados por efeitos, mas também com bonecos de massa constrangedores), demonstra claramente que aquilo ali foi só um início irrelevante e parece que aquela perda a colocou num ambiente que tende a aumentar seus ideais malignos.

Com um elenco jovem correto, investindo em uma veia cômica do Billy, Power Rangers pelo menos presenteia os fãs com uma inesquecível e regozijante ponta que os atores Amy Jo Johnson e Jason David Frank (rangers rosa e verde/branco da primeira formação) fazem em seu ato final, mas não sabe absorver a essência dos personagens, incrementadas com uma atualização que um reboot ou remake permite, o que fez o filme perder tons de entretenimento e transformando-se em uma obra arrastada e até mesmo cansativa.